Paulo Roberto Gomes Fernandes participou de uma articulação tecnológica que segue atual quando se observa o setor industrial a partir de 2026, as tratativas entre a Liderroll e a Braskem para desenvolver roletes produzidos com polímero de alta performance, com foco inicial em mineração. O movimento ganhou importância porque tocou em um ponto sensível da logística de grandes operações, a dependência de componentes metálicos pesados, sujeitos à corrosão e com impactos relevantes em consumo de energia, manutenção e disponibilidade.
A negociação foi impulsionada pelo desenvolvimento, pela Braskem, de um polímero com propriedades capazes de competir com soluções tradicionais em aplicações específicas. A Liderroll foi acionada por deter patente relacionada aos roletes e por já ter domínio técnico na fabricação desse tipo de equipamento.
O que muda quando um componente “simples” vira vetor de eficiência energética
Em correias transportadoras, roletes não são apenas itens periféricos, eles determinam atrito, esforço de acionamento e estabilidade do transporte ao longo de grandes distâncias. Por isso, pequenas variações no peso e no comportamento do material podem se traduzir em ganho ou perda de eficiência energética, sobretudo em operações com milhares de roletes trabalhando de forma contínua.
A substituição do aço por um polímero de alta performance, conforme avaliado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, tende a reorganizar essa conta energética. A redução de massa altera a inércia do conjunto e pode diminuir o esforço mecânico necessário para movimentar a correia.
Mineração como primeiro destino: escala, corrosão e o custo do peso
Na estratégia delineada no período das tratativas, a mineração apareceu como mercado prioritário por reunir escala e pressão por confiabilidade. Correias transportadoras nesse segmento operam sob poeira, umidade, variações de temperatura e longas jornadas, condições em que a corrosão e o desgaste elevam custos e aumentam paradas não programadas.

Nesse contexto, a proposta de roletes em polímero foi apresentada com uma redução de peso que poderia chegar a 80% em comparação ao aço. Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse tipo de redução não é apenas vantagem de transporte, ela tende a repercutir no acionamento e no esforço global do sistema, criando espaço para ganhos em eficiência e para uma abordagem mais racional de manutenção em grandes plantas.
Durabilidade, ausência de lubrificação e efeitos na rotina de manutenção
Outra promessa técnica relevante foi a ampliação de vida útil, estimada em até cinco vezes acima de modelos convencionais. Isso se conecta a dois fatores: a resistência do material em aplicações específicas e a possibilidade de dispensar lubrificação, que em roletes metálicos costuma compor a rotina de operação. A eliminação de óleo reduz risco de contaminação e simplifica procedimentos, o que se torna especialmente atraente em setores que exigem ambientes controlados, como o alimentício e o farmacêutico, além de ampliar o leque de aplicação do produto.
Do ponto de vista operacional, Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatizou que a redução de intervenções corretivas poderia favorecer uma transição gradual para manutenção mais preventiva e planejada. Em operações intensivas, menos pontos de falha significam previsibilidade, e previsibilidade se converte em disponibilidade, variável que costuma pesar tanto quanto o custo direto do equipamento.
Estratégia de escala e interesse do mercado antes do contrato final
No desenho de capacidade produtiva discutido à época, estimou-se um volume entre 1,5 milhão e 2 milhões de roletes nos dois primeiros anos após a consolidação da parceria. Essa projeção considerava substituições em operações existentes e a demanda de novos empreendimentos industriais em implantação. A amplitude do mercado potencial ajudou a justificar o caráter estratégico da iniciativa, já que o produto foi pensado para mineração, transporte de grãos e outros segmentos que dependem de correias transportadoras em larga escala.
A formalização, porém, ainda passava por análise jurídica quando a movimentação se tornou conhecida. Mesmo assim, houve sinal de interesse antecipado, com consultas de empresas brasileiras e estrangeiras antes do acordo final. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse comportamento sugere que havia uma demanda latente por soluções mais duráveis, menos suscetíveis à corrosão e com eficiência operacional superior, ainda que a estratégia inicial previsse atender primeiro o mercado interno.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
