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Tiago Oliva Schietti
Notícias

Planejamento funerário antecipado: uma decisão financeira e familiar que o mercado brasileiro ainda subestima

Diego Velázquez
Diego Velázquez junho 23, 2026
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Tiago Oliva Schietti
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Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, destaca que planejar o próprio funeral não é um ato mórbido, mas uma das decisões mais responsáveis que uma pessoa pode tomar pela família que deixará para trás. O argumento é simples e respaldado por dados: famílias que enfrentam um falecimento sem qualquer planejamento prévio gastam, em média, entre 30% e 50% a mais do que aquelas que contrataram serviços antecipadamente, segundo estimativas de associações do setor funerário no Brasil e em Portugal. 

Contents
Uma cultura que evita o assuntoComo funciona o planejamento funerário antecipado?O que o mercado internacional revela?Comportamento do consumidor e novas geraçõesRegulação e os desafios do setor no Brasil

Neste artigo, você vai entender como o planejamento funerário antecipado funciona, por que ainda encontra resistência cultural no país e de que forma o mercado está se reorganizando para mudar esse cenário.

Uma cultura que evita o assunto

Poucos temas provocam tanto desconforto quanto a própria morte. No Brasil, a dificuldade de falar sobre finitude é alimentada por fatores culturais, religiosos e psicológicos que tornam o planejamento funerário antecipado um assunto frequentemente adiado, mesmo por pessoas que reconhecem sua importância. Conforme indica Tiago Schietti, essa resistência tem custo concreto: no momento do falecimento, a família precisa tomar dezenas de decisões em poucas horas, sob impacto emocional intenso, sem condições de comparar preços, avaliar opções ou refletir sobre preferências do falecido.

A psicologia do luto aponta que decisões tomadas sob estresse agudo tendem a ser menos informadas e mais suscetíveis a arrependimentos posteriores. A contratação de serviços funerários nesse contexto pode resultar em escolhas que não refletem os valores ou os desejos da família, além de comprometer o orçamento doméstico em um momento já fragilizado pela perda.

Como funciona o planejamento funerário antecipado?

O planejamento funerário antecipado consiste na contratação prévia de serviços funerários, que podem incluir translado, velório, cerimônia, sepultamento ou cremação, urna ou caixão, e documentação. Os contratos são firmados com funerárias ou grupos cemiteriais e preveem a prestação dos serviços no momento do falecimento, independentemente de quando ocorra, pelo valor já acordado e corrigido conforme índices definidos em contrato.

Na avaliação de Tiago Schietti, a transparência contratual é um dos pilares que sustentam a credibilidade desse modelo. Principalmente, pois contratos claros, com descrição detalhada dos serviços incluídos, critérios de reajuste, condições de transferência e canais de atendimento, são condição para que a família confie no compromisso da empresa ao longo do tempo. A ausência dessas garantias é um dos principais motivos de desconfiança do consumidor brasileiro em relação aos planos antecipados.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

O que o mercado internacional revela?

Em países com cultura de planejamento funerário mais consolidada, os números são expressivos. Nos Estados Unidos, estima-se que mais de 40% dos adultos acima de 50 anos já possuam alguma forma de planejamento funerário pré-contratado, segundo dados da National Funeral Directors Association (NFDA) de 2023. No Reino Unido, o mercado de planos funerários antecipados movimenta cerca de 4 bilhões de libras ao ano, com regulação específica da Financial Conduct Authority desde 2022.

Tiago Schietti, em sua experiência como empresário do setor cemiterial e funerário, observa que a experiência internacional oferece ao mercado brasileiro tanto modelos a seguir quanto alertas sobre riscos a evitar. Casos de empresas que captaram recursos de planos antecipados sem constituir reservas adequadas, registrados em diferentes países, reforçam a importância de marcos regulatórios claros e de fiscalização efetiva como condições para o desenvolvimento saudável desse segmento no Brasil.

Comportamento do consumidor e novas gerações

Uma mudança relevante no perfil do consumidor de serviços funerários está em curso no Brasil. Gerações mais jovens, especialmente aquelas entre 35 e 50 anos, demonstram maior abertura para discutir planejamento funerário do que as gerações anteriores, influenciadas pela maior exposição a conteúdos sobre finanças pessoais, saúde preventiva e bem-estar familiar. De maneira adicional, plataformas digitais e podcasts que abordam finanças e qualidade de vida têm contribuído para normalizar o tema.

Segundo Tiago Schietti, esse movimento abre uma janela de oportunidade para funerárias e cemitérios que souberem comunicar o planejamento antecipado de forma acessível, sem apelo ao medo e sem linguagem excessivamente técnica. A chave está em posicionar o produto como cuidado com a família, não como preparação para a morte, o que ressoa com muito mais naturalidade junto ao público contemporâneo.

Regulação e os desafios do setor no Brasil

O mercado de planos funerários antecipados no Brasil carece de regulamentação federal específica. A ausência de normas claras sobre constituição de reservas, reajustes, portabilidade e extinção de contratos deixa o consumidor em posição vulnerável e cria assimetrias competitivas entre empresas que operam com responsabilidade e aquelas que não o fazem.

A Acembra e outras entidades do setor têm pressionado por um marco regulatório nacional que garanta segurança jurídica tanto para as famílias contratantes quanto para as empresas prestadoras. Por fim, como considera Tiago Schietti, a regulação não é obstáculo ao crescimento do mercado, mas condição para que ele se expanda com legitimidade e confiança, os dois ativos mais valiosos em um setor que lida, por definição, com as experiências mais sensíveis da vida humana.

O planejamento funerário antecipado é, antes de tudo, um ato de generosidade com quem ficará. Mercados que aprenderam isso antes do Brasil colhem hoje os resultados de um setor maduro, regulado e respeitado. O caminho brasileiro está em construção, e cada empresa que opera com transparência e compromisso contribui para pavimentá-lo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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