Restrições ao uso do fogo entram em vigor em todo o estado e reforçam ações de prevenção aos incêndios no Pantanal, Cerrado e Amazônia mato-grossense.
O início de julho marca oficialmente uma das fases mais importantes do calendário ambiental de Mato Grosso. Desde o dia 1º, passou a valer o período proibitivo para o uso do fogo em áreas rurais, medida adotada pelo Governo do Estado como parte da estratégia de prevenção aos incêndios florestais durante a estiagem. A decisão ocorre em um momento de preocupação crescente com as condições climáticas, caracterizadas por baixa umidade do ar, temperaturas elevadas e redução das chuvas, fatores que aumentam significativamente o risco de propagação do fogo.
Para quem vive no campo, trabalha com atividades agropecuárias ou depende do turismo em regiões como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães, a mudança traz impactos diretos. Além das restrições legais, o período exige maior planejamento das atividades rurais, cuidados com equipamentos e atenção redobrada para evitar incêndios acidentais. A medida também busca reduzir prejuízos ambientais, proteger propriedades, preservar a biodiversidade e diminuir os impactos da fumaça sobre a saúde da população, especialmente em municípios como Cuiabá, Rondonópolis, Sinop, Cáceres e Barra do Garças.
O que muda com a proibição do uso do fogo em Mato Grosso
O decreto estadual estabelece que, entre 1º de julho e 30 de novembro, fica proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos três principais biomas presentes em Mato Grosso: Amazônia, Cerrado e Pantanal. A decisão integra o plano estadual de enfrentamento aos incêndios florestais e ocorre juntamente com a manutenção da situação de emergência ambiental decretada pelo Estado.
Na prática, produtores rurais deixam de poder utilizar queimadas para limpeza de pastagens, abertura de áreas ou eliminação de resíduos vegetais durante esse período. Existem exceções previstas para operações técnicas conduzidas ou autorizadas por órgãos públicos responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios, mas a regra geral é a suspensão do uso do fogo. O objetivo é reduzir as chances de que pequenas queimadas escapem do controle e provoquem incêndios de grandes proporções, como ocorreu em temporadas anteriores.
Além da proibição, o Governo de Mato Grosso reforçou a estrutura de monitoramento por meio da Sala de Situação Central, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar, responsável por integrar informações, acompanhar focos de calor e acelerar a resposta operacional quando houver ocorrências. Também foi autorizada a contratação de brigadistas temporários para reforçar o combate aos incêndios durante a estação seca, ampliando a capacidade de atendimento em diferentes regiões do estado.
Como a medida afeta o cotidiano dos mato-grossenses
Embora a proibição seja frequentemente associada ao meio rural, seus efeitos alcançam praticamente toda a população. Em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Sinop e Rondonópolis, a redução das queimadas contribui para minimizar episódios de fumaça intensa, que costumam agravar doenças respiratórias, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas pulmonares.
No setor do agronegócio, referência na economia estadual, cresce a importância do planejamento antecipado das atividades agrícolas. Técnicas de manejo sem fogo, mecanização e aproveitamento de resíduos vegetais tornam-se alternativas cada vez mais relevantes para manter a produtividade dentro das normas ambientais. Ao mesmo tempo, propriedades precisam reforçar aceiros, revisar equipamentos agrícolas e orientar funcionários para reduzir riscos durante operações que possam gerar faíscas ou calor excessivo.
O turismo também depende diretamente desse controle. Regiões como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães recebem visitantes interessados em natureza, observação de animais e ecoturismo. Grandes incêndios comprometem paisagens, afastam turistas, provocam perdas econômicas e afetam comunidades locais que dependem da atividade turística. Por isso, a prevenção beneficia não apenas o meio ambiente, mas também diversos setores da economia mato-grossense.
Por que a prevenção neste ano recebe atenção especial
Especialistas alertam que os meses de inverno representam tradicionalmente o período de maior risco para incêndios florestais em Mato Grosso. A combinação entre estiagem prolongada, vegetação seca, baixa umidade relativa do ar e ventos favorece a rápida propagação das chamas, tornando qualquer foco potencialmente perigoso.
Nos últimos anos, o estado acumulou experiências que demonstram os elevados custos ambientais, econômicos e sociais dos incêndios de grandes proporções. Além da destruição da vegetação nativa, os prejuízos incluem perdas para produtores rurais, impactos sobre a fauna, interrupção de atividades turísticas, aumento dos gastos públicos com combate ao fogo e pressão sobre o sistema de saúde devido aos problemas respiratórios causados pela fumaça.
Para o cidadão, a principal recomendação é evitar qualquer prática que possa iniciar incêndios, denunciar queimadas ilegais aos órgãos competentes e seguir as orientações da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Estado de Meio Ambiente. A participação da população é considerada fundamental para reduzir ocorrências durante a estação seca. Com prevenção, fiscalização e atuação integrada entre governo, produtores e sociedade, Mato Grosso busca enfrentar mais uma temporada crítica preservando seus biomas, protegendo comunidades e reduzindo os impactos econômicos e ambientais provocados pelos incêndios florestais.
Fontes:
- Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) – Período proibitivo do fogo começa em 1º de julho e vai até 30 de novembro.
SEMA-MT – Período proibitivo do fogo 2026 - Governo de Mato Grosso / Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT) – Informações sobre o decreto, regras e fiscalização do período proibitivo.
Corpo de Bombeiros MT – Período proibitivo de uso do fogo - Decreto Estadual nº 2.015/2026 – Declara estado de emergência ambiental, estabelece o período proibitivo de queimadas e cria a Sala de Situação Central.
Decreto Estadual nº 2.015/2026 - Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT) – Portal institucional com normas, licenciamento ambiental e informações sobre queimadas.
Portal da SEMA-MT - Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso – Orientações de prevenção e combate aos incêndios florestais durante a estiagem.
