Ação cumpre 12 prisões preventivas e 22 buscas em quatro municípios do estado
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (8) a Operação Basalto, uma ofensiva contra uma facção criminosa suspeita de comandar um esquema de extorsão que atingiu dezenas de comerciantes na região sul do estado. Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente em Pedra Preta, Rondonópolis, Itiquira e Cuiabá, com diligências que incluíram unidades prisionais estaduais.
Segundo a corporação, o grupo é investigado por envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão de comerciantes e lavagem de dinheiro. A operação reúne meses de apuração sobre uma estrutura que, de acordo com as investigações, mantinha divisão clara de funções entre seus integrantes.
Origem das investigações
O trabalho policial que resultou na operação desta terça-feira teve início a partir de uma prisão em flagrante por tráfico de drogas, realizada em fevereiro do ano passado em Pedra Preta. A partir desse primeiro caso, os investigadores conseguiram reunir um volume expressivo de provas, entre mensagens, áudios, imagens, comprovantes de transferências bancárias e planilhas de controle financeiro ligadas à facção.
A análise desse material permitiu à Polícia Civil identificar uma organização com lideranças definidas, gerentes locais, operadores financeiros, distribuidores de drogas e integrantes encarregados de monitorar a atuação das forças de segurança na região. Chamou atenção dos investigadores o fato de que parte das atividades do grupo era coordenada de dentro de unidades prisionais, por meio do uso clandestino de aparelhos celulares. Os suspeitos usavam grupos de comunicação para administrar as atividades ilícitas, controlar as finanças e transmitir orientações de segurança, na tentativa de dificultar o trabalho das autoridades.
Esquema de cobrança contra comerciantes
Entre os crimes apurados está um esquema de extorsão que, segundo a polícia, atingiu mais de 50 estabelecimentos comerciais em Pedra Preta. Foram encontrados documentos que relacionavam os comércios afetados, com registros de cobranças periódicas destinadas à facção. As apurações indicam que os comerciantes eram constrangidos a efetuar os pagamentos por temor de represálias atribuídas aos integrantes do grupo criminoso.
Entre as provas reunidas pelos investigadores estão diálogos, planilhas de controle, listas de estabelecimentos, valores individualizados por comerciante e comprovantes de transferências bancárias. As diligências também apontaram o uso de contas de terceiros e de uma pessoa jurídica para receber e movimentar valores supostamente originados tanto do tráfico de drogas quanto das extorsões.
Medidas cautelares e bloqueio de bens
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou medidas cautelares diversas da prisão para oito investigados, incluindo comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com outros envolvidos, restrição de acesso a locais relacionados às atividades investigadas e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
Também foi determinado o bloqueio de ativos financeiros vinculados a três investigados e a uma pessoa jurídica, além da suspensão das atividades econômicas e financeiras de uma empresa apontada como instrumento para movimentar e ocultar recursos das atividades criminosas.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem, com possibilidade de novos desdobramentos à medida que o material apreendido durante a operação for analisado. A expectativa das autoridades é aprofundar o mapeamento da estrutura financeira do grupo e identificar eventuais outros envolvidos que ainda não tenham sido alcançados pelos mandados cumpridos nesta terça-feira.
Casos como o de Pedra Preta reacendem o debate sobre a atuação de facções criminosas em municípios do interior mato-grossense, especialmente diante de esquemas que combinam tráfico de drogas com cobrança sistemática sobre o comércio local, prática que impõe prejuízo direto à economia das cidades afetadas e gera insegurança entre empreendedores.
