Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, destaca a importância de olhar para a prevenção como parte permanente do cuidado com a saúde. Afinal, quando não existem sintomas ou sinais aparentes, é comum adiar consultas, exames e outros cuidados preventivos. O problema é que algumas condições podem evoluir silenciosamente e, quando identificadas mais tarde, exigir tratamentos mais complexos e acompanhamento prolongado.
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Por que esperar a doença aparecer pode sair mais caro?
A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de riscos. Algumas condições de saúde podem evoluir durante períodos prolongados antes de provocar manifestações perceptíveis. Consultas periódicas, vacinação, acompanhamento de fatores de risco e exames indicados para cada pessoa podem ajudar a identificar alterações antes que elas provoquem complicações. Por isso, manter uma rotina de cuidados permite agir com antecedência e evitar que sinais inicialmente discretos evoluam para problemas mais difíceis de controlar.
Quando um problema é descoberto em uma fase mais avançada, o cuidado pode exigir mais consultas, medicamentos, procedimentos ou períodos de recuperação, comenta o Doutor Yuri Silva Portela. Para a saúde pública, isso representa uma demanda maior sobre profissionais, unidades e recursos que poderiam ser utilizados também em outras necessidades da população. Além do impacto sobre os serviços, o agravamento de uma doença pode comprometer a rotina, a autonomia e a qualidade de vida do próprio paciente.
A prevenção, portanto, não deve ser compreendida apenas como uma maneira de evitar uma doença específica. Ela também pode contribuir para reduzir complicações e preservar a capacidade funcional das pessoas ao longo do tempo. Esse aspecto ganha ainda mais importância quando se considera uma população que está vivendo mais. Quanto maior a expectativa de vida, maior também é a necessidade de acompanhar a saúde de forma contínua para preservar independência e bem-estar.
Confira com o Doutor Yuri Silva Portela quais doenças podem ser influenciadas pela prevenção
Nem todas as doenças podem ser evitadas, mas diversos problemas de saúde estão relacionados a fatores que podem ser acompanhados ou modificados. Pressão arterial, alimentação, sedentarismo, tabagismo, vacinação e acompanhamento médico são exemplos de aspectos que podem fazer parte de estratégias preventivas, de acordo com as necessidades individuais. A identificação desses fatores permite estabelecer cuidados mais adequados e reduzir a exposição a riscos que podem ser controlados ao longo da vida.

Na terceira idade, esse cuidado exige atenção especial. Doenças crônicas podem coexistir e influenciar umas às outras, enquanto determinados problemas podem comprometer mobilidade, independência e qualidade de vida. Com isso em vista, identificar riscos e acompanhar alterações regularmente pode evitar que uma condição controlável provoque consequências maiores. O acompanhamento também permite perceber mudanças na saúde e ajustar os cuidados antes que elas resultem em limitações mais significativas.
O Doutor Yuri Silva Portela aponta que essa visão é particularmente importante na geriatria. O objetivo não deve ser esperar que o idoso desenvolva uma complicação para então agir, mas acompanhar sua saúde de maneira contínua e considerar as condições que podem interferir em sua autonomia. Essa abordagem ajuda a colocar a prevenção como parte da rotina, e não apenas como uma medida adotada depois que algum problema já apareceu.
O que a prevenção muda para o sistema público?
Quando doenças são identificadas e acompanhadas de maneira adequada, o sistema de saúde pode trabalhar com maior foco na continuidade do cuidado. A prevenção ajuda a deslocar parte da atenção de situações que já se agravaram para estratégias capazes de reduzir riscos e detectar alterações em fases anteriores. Disso em diante, o acompanhamento pode ser planejado de forma mais organizada, permitindo que profissionais atuem antes que determinadas condições resultem em complicações.
Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, esse processo também depende da participação da população. Uma campanha de vacinação, por exemplo, precisa chegar às pessoas; uma orientação de saúde precisa ser compreendida; e um exame preventivo precisa estar efetivamente acessível. Por isso, não basta recomendar que alguém se cuide. É necessário criar condições para que o cuidado seja possível. Informação clara, serviços próximos e acompanhamento adequado são elementos que podem facilitar a adesão da população às medidas de prevenção.
