Renúncia do governador para tentar vaga no Senado reorganiza o tabuleiro político estadual e abre espaço para até cinco nomes na briga pelo Palácio Paiaguás
Depois de quase oito anos à frente do governo de Mato Grosso, Mauro Mendes deixou o Palácio Paiaguás. A saída não foi uma surpresa, mas marca o início de um dos períodos mais imprevisíveis da política estadual recente. A pergunta que move o debate em Cuiabá e no interior do estado é: quem vai assumir o comando do estado mais estratégico do agronegócio brasileiro a partir de 2027?
A resposta ainda está em aberto, mas o cenário já começa a se desenhar. Mendes, que está em seu segundo mandato consecutivo, não poderia disputar a reeleição de qualquer forma, já que a legislação eleitoral permite no máximo duas gestões seguidas no comando do Executivo. Mauro Mendes renunciou ao governo de Mato Grosso na última terça-feira (31) para tentar uma vaga no Senado. O vice Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu o cargo e tem o apoio do ex-governador para buscar um novo mandato. A partir daqui, a disputa pela sucessão ganha contornos próprios, com nomes de peso da política mato-grossense entrando no páreo. Satelitenoticias
Quem são os favoritos para assumir o Palácio Paiaguás
O vice-governador Otaviano Pivetta surge como o nome natural da continuidade administrativa. O atual vice-governador do Mato Grosso deve ser o candidato da base governista para as eleições de 2026. Seu currículo ajuda a explicar a confiança do grupo político: Pivetta é um dos maiores produtores agrícolas do país e foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos. Gaúcho, o vice-governador vive no Mato Grosso desde 1980. O apoio partidário também já começa a se consolidar, com declarações públicas de lideranças nacionais a seu favor. ExameExame
Do outro lado do espectro político, o senador Jayme Campos representa a força da oposição histórica ao grupo governista. Ex-governador do estado, ele já demonstrou disposição para disputar o Palácio Paiaguás novamente. Em suas redes sociais, afirma ser pré-candidato ao governo do estado e diz que não abre mão da candidatura. Campos é empresário e agropecuarista. Essa postura tem gerado um ponto de tensão dentro da própria Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas, já que parte das lideranças ligadas a Mauro Mendes defende abrir mão de candidatura própria para fortalecer a chapa governista. Exame
Outro nome que ganhou força nas últimas semanas é o do senador Wellington Fagundes, que recebeu sinalização de apoio de peso dentro do PL. Após visita a Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou, em coletiva, que o senador Wellington Fagundes será o candidato do partido ao governo de Mato Grosso. A entrada de Fagundes na disputa amplia o número de candidaturas competitivas e reforça a tese de que o pleito de outubro deste ano deve ser um dos mais concorridos das últimas eleições estaduais. Exame
Os bastidores das alianças e o impacto nas demais disputas
A briga pela sucessão não fica restrita ao comando do Executivo. Em 2026, Mato Grosso vai eleger dois senadores simultaneamente, o que multiplica o interesse de lideranças políticas pela disputa. Diferentemente de 2022, quando apenas uma vaga esteve em disputa, em 2026 os eleitores poderão votar em dois candidatos ao Senado. Com isso, duas cadeiras estarão em jogo simultaneamente, aumentando o interesse de lideranças políticas e de representantes do setor produtivo. Justamente por isso, Mauro Mendes aparece como um dos nomes mais fortes nessa corrida, aproveitando o capital político acumulado nos últimos anos à frente do estado. ND Mais
As movimentações também chegam à Assembleia Legislativa, onde uma verdadeira reorganização partidária já está em curso. Ao todo, 11 deputados estaduais trocaram de legenda no prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral para disputar as eleições em Mato Grosso. Entre os destaques está a movimentação de um ex-presidente da própria Assembleia, que migrou de partido em busca de uma posição mais favorável dentro do novo desenho político estadual. ND Mais
As federações partidárias se tornaram o centro das negociações para a disputa pelo governo. Atualmente, os principais movimentos políticos de Mato Grosso estão concentrados em três grandes blocos, com a Federação União Progressista vivendo o principal foco de tensão, já que União Brasil e Progressistas ainda não chegaram a um consenso sobre qual caminho seguir na disputa pelo Palácio Paiaguás. Enquanto isso, outras siglas menores buscam se reposicionar para garantir relevância na Assembleia Legislativa, independentemente do resultado da corrida estadual. ND Mais
Esse cenário de fragmentação tende a se refletir também na disputa pela Câmara dos Deputados, já que a partir da próxima legislatura o estado passará a contar com dez deputados federais, ampliando sua força política em Brasília. Mais cadeiras em jogo significam mais espaço para novos nomes, mas também mais disputa interna dentro dos próprios partidos, que precisam equilibrar lideranças tradicionais com apostas emergentes vindas do interior do estado. ND Mais
O resultado dessa engrenagem só ficará claro depois das convenções partidárias, previstas para agosto, quando as candidaturas serão oficialmente registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, o que se vê é um jogo de xadrez constante entre lideranças tradicionais, novos nomes e o peso histórico que Mauro Mendes ainda exerce sobre o tabuleiro político mato-grossense, mesmo fora do comando direto do Executivo. Para o eleitor, acompanhar essas movimentações é fundamental para entender quem vai conduzir as decisões que afetam diretamente a economia, a infraestrutura e os serviços públicos do estado nos próximos quatro anos.
Fontes consultadas: Agência Satélite Notícias, Exame e ND+.
Links: https://www.satelitenoticias.com.br/2026/04/eleicoes-2026-11-governadores-e-10.html | https://exame.com/brasil/eleicoes-2026-quem-sao-os-possiveis-candidatos-a-governador-de-mato-grosso/ | https://ndmais.com.br/politica/eleicoes-em-mato-grosso-em-2026/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
