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Mato Grosso registra primeiros grandes incêndios da estiagem de 2026

Diego Velázquez
Diego Velázquez julho 28, 2026
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Rondonópolis já soma ocorrências de fogo neste início de seca, enquanto o Estado mantém proibido o uso de queimadas até novembro.

Contents
Como estão os focos de incêndio neste início de estiagemPor que o Governo de Mato Grosso proibiu o uso do fogoO que muda na prática para produtores e moradores

Mato Grosso entrou oficialmente na fase mais crítica do ano para o risco de incêndios florestais. Em Rondonópolis, o Corpo de Bombeiros já foi acionado diversas vezes para conter focos em terrenos baldios e áreas de vegetação, um sinal de que a estiagem chegou com força neste ano. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostra que, entre 27 de junho e 27 de julho, o estado somou centenas de ocorrências de fogo, concentradas principalmente no bioma Cerrado. O cenário reforça um alerta que o Governo do Estado já vinha fazendo desde abril, quando decretou emergência ambiental por causa do risco elevado de queimadas ao longo de todo o território mato grossense.

Como estão os focos de incêndio neste início de estiagem

Segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Mato Grosso contabilizou 558 ocorrências de fogo entre 27 de junho e 27 de julho de 2026, o que representa 12,4% dos registros de todo o país nesse período. A distribuição por bioma ajuda a entender onde o problema se concentra: o Cerrado responde por 60,2% das ocorrências registradas em território mato grossense, à frente da Amazônia e do Pantanal. Em Rondonópolis, um dos municípios mais afetados, o comando local do Corpo de Bombeiros tem sido chamado com frequência para apagar incêndios em áreas de vegetação próximas a bairros residenciais, o que amplia a preocupação com a segurança da população. MtfatosMtfatos

Esse número, embora ainda distante do pico da seca, já supera o que costuma ser registrado no início de julho em anos anteriores, segundo a leitura de técnicos da área ambiental que acompanham o programa de monitoramento. A tendência apontada pelas equipes de meteorologia é de piora nas próximas semanas, já que a chegada do fenômeno El Niño costuma reduzir a umidade do ar e elevar as temperaturas em boa parte do Centro Oeste. Com isso, o material vegetal seco se torna mais inflamável, e qualquer descuido, como uma fogueira mal apagada ou uma ponta de cigarro, pode dar origem a incêndios de grandes proporções.

A situação levou o estado a antecipar parte da estrutura de combate ao fogo que normalmente só entra em operação plena em agosto e setembro. Equipes de todos os comandos regionais do Corpo de Bombeiros participaram recentemente de um nivelamento da temporada de incêndios florestais, com atualização de protocolos e revisão das tecnologias de monitoramento usadas em campo. A ideia é que, quando os focos aumentarem, a resposta seja mais rápida e coordenada entre os municípios.

Por que o Governo de Mato Grosso proibiu o uso do fogo

Diante desse quadro, o Governo do Estado estabeleceu período proibitivo para o uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. A medida está prevista no decreto estadual e vale para todo o território mato grossense, sem exceção de região. A norma também autoriza a contratação de brigadistas temporários e a criação de uma Sala de Situação Central para coordenar as ações de combate aos incêndios ao longo dos próximos meses. O LivreDiario de Cuiabá

O decreto não surgiu isoladamente. Já em abril, o Governo de Mato Grosso havia decretado estado de emergência ambiental por riscos de incêndios florestais, quando o estado somava mais de 700 focos de calor apenas nos quatro primeiros meses do ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Na ocasião, Mato Grosso ocupava a quinta posição entre os estados brasileiros com mais focos de calor, atrás de Roraima, Pará, Maranhão e Bahia. Esses números explicam por que o Estado optou por antecipar a proibição do uso do fogo, mesmo sabendo do impacto que a medida tem sobre produtores rurais que dependem da queima controlada para limpar pastagens e preparar o solo. Primeira PáginaPrimeira Página

A legislação prevê algumas exceções pontuais. É permitido o uso do fogo em situações de prevenção e combate a incêndios, como na abertura de aceiros ou em técnicas de contra fogo, desde que realizadas ou supervisionadas por órgãos públicos responsáveis. Fora isso, qualquer queima sem autorização, mesmo em propriedades privadas, pode ser enquadrada como crime ambiental, sujeito a multas e outras penalidades previstas em lei.

O que muda na prática para produtores e moradores

Para quem vive na zona rural, a orientação das autoridades é clara: qualquer necessidade de uso do fogo para limpeza de terreno deve esperar o fim do período proibitivo, em novembro, ou contar com autorização específica do órgão ambiental estadual. Fora do período de restrição, ainda é possível solicitar a chamada Autorização para Queima Controlada junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, mediante o preenchimento de formulários técnicos disponíveis no site do órgão.

Em áreas urbanas, a proibição do uso do fogo vale o ano inteiro, não apenas durante o período de estiagem. Moradores que perceberem focos de incêndio ou uso irregular do fogo, mesmo dentro das cidades, podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou o Corpo de Bombeiros Militar pelo 193. A recomendação das equipes de segurança é que a denúncia seja feita assim que o foco for percebido, já que a rapidez no atendimento costuma ser decisiva para evitar que um pequeno incêndio se transforme em um problema de grandes proporções.

A expectativa das autoridades estaduais é que a combinação entre fiscalização, contratação de brigadistas e conscientização da população ajude a reduzir o número de ocorrências nos próximos meses, especialmente em agosto e setembro, historicamente os meses mais críticos da estiagem em Mato Grosso. O acompanhamento contínuo dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais seguirá sendo a principal ferramenta para medir se as medidas adotadas neste início de temporada estão realmente surtindo efeito.

O quadro atual reforça a importância de cada morador e produtor rural entender seu papel na prevenção. Pequenas atitudes, como não descartar bitucas de cigarro em áreas de vegetação seca e respeitar o período de restrição ao fogo, fazem diferença direta nos números que aparecem nos relatórios do Inpe. Enquanto o estado se prepara para os meses mais secos do ano, a mensagem das autoridades é de atenção redobrada, já que o histórico recente mostra que os incêndios em Mato Grosso tendem a se intensificar justamente quando a vigilância diminui.

Fontes:
MT Fatos | O Livre | Primeira Página | Diário de Cuiabá | INPE Terrabrasilis

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