O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, identifica nas doenças osteoarticulares uma das principais causas de dor crônica, limitação funcional e perda de autonomia entre os idosos atendidos pelo projeto no sertão cearense. Artrite e artrose afetam milhões de brasileiros acima dos 60 anos e representam condições que, quando não manejadas de forma adequada, comprometem progressivamente a mobilidade, o humor e a capacidade do idoso de realizar as atividades que conferem sentido ao seu cotidiano. Entender a diferença entre essas condições e conhecer as abordagens disponíveis é o primeiro passo para um cuidado mais eficaz.
Qual é a diferença entre artrite e artrose e por que ela importa para o tratamento?
Artrite e artrose são frequentemente confundidas pelo público geral, mas representam condições distintas com mecanismos, perfis de paciente e abordagens terapêuticas diferentes. A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações, sendo a forma mais comum de doença articular na terceira idade e afetando principalmente joelhos, quadris, coluna e mãos. A artrite, por sua vez, é um termo mais amplo que designa processos inflamatórios articulares, sendo a artrite reumatoide a forma mais conhecida, de origem autoimune e com manifestações sistêmicas que vão além das articulações.
A distinção entre essas condições tem implicações diretas sobre o tratamento. Enquanto a artrose é manejada principalmente com medidas de alívio da dor, fortalecimento muscular e proteção articular, a artrite reumatoide requer o uso de medicamentos específicos que atuam sobre o sistema imunológico para controlar a inflamação e prevenir a destruição articular. Conforme aponta o doutor Yuri Silva Portela, o diagnóstico correto, feito por profissional experiente e com os exames adequados, é condição indispensável para que o tratamento produza resultados reais e duradouros.

Como a dor articular compromete a qualidade de vida do idoso?
A dor crônica de origem articular não afeta apenas o movimento: afeta o sono, o humor, a disposição para atividades sociais e a capacidade de realizar tarefas básicas do cotidiano. Um idoso com dor persistente nos joelhos, que evita caminhar para não sentir desconforto, entra em um ciclo de inatividade que acelera a perda muscular, piora o equilíbrio e aumenta o risco de quedas. A dor que não é tratada adequadamente alimenta a depressão, o isolamento e a perda de autonomia de forma progressiva e interligada.
O doutor Yuri Silva Portela ressalta que a dor articular no idoso frequentemente é subestimada tanto pelos profissionais de saúde quanto pelos próprios pacientes, que tendem a normalizá-la como parte inevitável do envelhecimento. Essa naturalização do sofrimento é um dos maiores obstáculos ao tratamento precoce e eficaz, e um dos pontos que o cuidado geriátrico humanizado busca transformar ao criar espaços de escuta, nos quais o idoso se sinta encorajado a falar sobre suas queixas sem medo de ser desconsiderado.
Quais são as abordagens terapêuticas disponíveis para o idoso com doença articular?
O tratamento das doenças articulares no idoso é multimodal e combina intervenções farmacológicas e não farmacológicas de acordo com o perfil clínico de cada paciente. Os analgésicos e anti-inflamatórios utilizados precisam ser escolhidos com critério, pois muitos dos medicamentos convencionalmente prescritos para dor articular têm perfil de segurança desfavorável no idoso, com risco aumentado de sangramento gastrointestinal, lesão renal e interações com outros fármacos. A revisão cuidadosa da medicação analgésica faz parte da avaliação geriátrica em qualquer idoso com doença articular.
A fisioterapia, os exercícios de fortalecimento muscular, a hidroterapia e as adaptações ergonômicas no ambiente doméstico são intervenções com impacto comprovado sobre a dor e a funcionalidade articular, e frequentemente produzem resultados superiores ao tratamento exclusivamente medicamentoso. Yuri Silva Portela e a equipe do Humaniza Sertão orientam os idosos atendidos sobre a importância dessas abordagens complementares, oferecendo uma visão de cuidado que não se limita à prescrição de remédios, mas que considera o idoso em sua totalidade funcional e social.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
