Assembleia Legislativa entra em recesso enquanto oito pré candidatos disputam o comando do Estado nas eleições deste ano.
A política mato grossense vive um dos momentos mais movimentados dos últimos anos. Com a saída de Mauro Mendes do Palácio Paiaguás para concorrer a uma vaga no Senado, o comando do Estado ficou em aberto, e ao menos oito pré candidatos de diferentes correntes já sinalizaram interesse em disputar o cargo. O período coincide com a formação de alianças e trocas de legenda que têm mudado o desenho político de Mato Grosso às vésperas das convenções partidárias. Enquanto isso, a Assembleia Legislativa encerrou o primeiro semestre de trabalhos e entrou em recesso parlamentar, deixando parte da pauta considerada estratégica para a retomada dos trabalhos em agosto.
Corrida pelo Palácio Paiaguás ganha força
Desde 31 de março deste ano, quem ocupa o cargo de governador de Mato Grosso é Otaviano Pivetta, que assumiu o Poder Executivo estadual após a renúncia de Mauro Mendes. A saída de Mendes teve um motivo claro: disputar uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal nas eleições deste ano. De acordo com pesquisa divulgada no início de junho pela Real Time Big Data, o ex-governador aparece na liderança das intenções de voto para o Senado, com 29%, seguido pela deputada estadual Janaína Riva, do MDB, com 24%. O senador Carlos Fávaro, que também foi ministro do governo federal, e o ex-governador Pedro Taques completam o cenário mais citado nas pesquisas. WikipediaCanaldiario
Para o governo do Estado, a disputa promete ser ainda mais acirrada. A sucessão de Mauro Mendes reúne pelo menos oito pré candidatos declarados, vindos de diferentes correntes políticas, o que torna a disputa pelo Palácio Paiaguás uma das mais concorridas dos últimos anos no estado. Um dos nomes que ainda gera expectativa é o do atual presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, do Podemos, que até o momento não confirmou publicamente se vai disputar o governo ou buscar a reeleição ao cargo legislativo. Canaldiario
As articulações não ficam restritas ao topo da disputa. Na capital, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, eleito em 2024, tem afastado qualquer possibilidade de concorrer ao governo neste ciclo, preferindo concentrar esforços na gestão municipal. Um dos projetos já anunciados por seu grupo político é a candidatura de sua esposa, a vereadora Samantha Iris, para uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o que mostra como as peças estão sendo movimentadas também em outras esferas. ND Mais
Mudanças de legenda redesenham o tabuleiro partidário
O período pré eleitoral também tem sido marcado por uma intensa movimentação de troca de partidos entre parlamentares mato grossenses. Eduardo Botelho, que já presidiu a Assembleia Legislativa e chegou a ser nomeado governador em ausência de Mauro Mendes e de Otaviano Pivetta, deixou o União Brasil para se filiar ao MDB. Outros deputados também mudaram de legenda: Faissal Calil saiu do Cidadania e ingressou no PL, Paulo Araújo trocou o PP pelo Republicanos, e Chico Guarnieri deixou o PRD para se filiar ao PSDB. ND MaisND Mais
Essas trocas não se limitam à esfera estadual. Na bancada federal, metade dos deputados que representam Mato Grosso em Brasília também mudou de partido durante o período de reorganização partidária, caso de Emanuelzinho, filho do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, que deixou o MDB e se filiou ao PSD. Especialistas em política estadual costumam apontar que esse tipo de movimentação é comum em anos eleitorais, já que os parlamentares buscam legendas com maior estrutura de campanha e melhor capacidade de compor chapas competitivas. ND Mais
O calendário eleitoral também ajuda a explicar a pressa das articulações. As convenções partidárias, quando as siglas definem coligações e oficializam candidaturas ao governo, ao Senado e às vagas de deputado federal e estadual, serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e os pedidos de registro de candidatura devem ser protocolados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Outro fator que aumenta a relevância do pleito deste ano é o crescimento da representação de Mato Grosso na Câmara dos Deputados: a partir da próxima legislatura, o estado passará a contar com dez deputados federais, dois a mais do que atualmente. CanaldiarioCanaldiario
Assembleia encerra semestre e deixa pautas para agosto
Enquanto a disputa eleitoral esquenta, o trabalho legislativo em Mato Grosso entrou em compasso de espera. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso entrou em recesso parlamentar no período de 27 de julho a 7 de agosto, após encerrar o primeiro semestre com parte da pauta legislativa ainda pendente. Segundo o próprio Legislativo, o calendário eleitoral de 2026 passou a influenciar diretamente o ritmo das discussões e das votações na reta final da atual legislatura, o que ajuda a explicar por que temas mais sensíveis ficaram para a retomada dos trabalhos. RDM ONLINERDM ONLINE
Antes da pausa, os deputados aprovaram matérias consideradas prioritárias pelo Executivo estadual, entre elas o orçamento para o próximo exercício financeiro. A Assembleia aprovou o Projeto de Lei Orçamentária Anual, estimando receita e fixando despesa em quarenta bilhões e setecentos milhões de reais para 2026, após a análise de centenas de emendas apresentadas por parlamentares de diferentes bancadas. Parte dessas emendas tratava de investimentos em habitação popular e correção de perdas salariais do funcionalismo público, temas que devem seguir no radar político mesmo com o recesso. Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
A avaliação de analistas que acompanham a Casa é de que os próximos meses serão decisivos tanto para o andamento da pauta legislativa quanto para a definição dos rumos eleitorais do estado. Com convenções marcadas para o fim de julho e início de agosto, o cenário político de Mato Grosso deve ganhar contornos mais claros justamente no momento em que os deputados retornarem de recesso, quando boa parte das articulações já estará consolidada.
Para o eleitor mato grossense, o desenrolar dessas movimentações tem impacto direto: da definição de quem disputará o governo à composição da bancada que vai representar o estado em Brasília, as próximas semanas devem concentrar decisões que só ficarão totalmente claras após as convenções partidárias e o fechamento do prazo de registro de candidaturas, no dia 15 de agosto.
Fontes:
Canal Diário | ND Mais | RDM Online | Wikipédia – Governadores de Mato Grosso | Assembleia Legislativa de MT
