Vulnerabilidade explorada por invasores levou à suspensão do expediente em todo o estado
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) teve seus sistemas informatizados retirados do ar na noite de domingo, 20 de setembro, após um ataque hacker classificado pela própria instituição como sem precedentes. O incidente atingiu parte da infraestrutura tecnológica do órgão e provocou a suspensão do expediente, dos prazos processuais, das audiências e das sessões de julgamento programadas para esta segunda-feira, 21. A medida foi oficializada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que classificou a ação como necessária para viabilizar uma manutenção emergencial da infraestrutura tecnológica do Poder Judiciário estadual.
Segundo apurações preliminares da Coordenadoria de Tecnologia da Informação do próprio Tribunal, a origem do problema estaria relacionada à inserção indevida de um modelo de documento no sistema, ocorrida na tarde de domingo. Essa inserção teria aberto uma vulnerabilidade estrutural que, a partir daí, foi explorada por invasores para comprometer parte dos serviços eletrônicos da instituição. As informações iniciais divulgadas pela manhã de segunda-feira, no entanto, indicavam apenas que a infraestrutura tecnológica passava por uma manutenção emergencial, sem detalhar a origem real do problema.
Entre os serviços afetados está o Processo Judicial Eletrônico, conhecido como PJe, principal plataforma utilizada por magistrados, servidores e advogados para o andamento de processos judiciais em Mato Grosso. Com a indisponibilidade do sistema, ficou impossibilitada a prática regular de atos processuais e administrativos por meio eletrônico, tanto em processos de primeiro quanto de segundo grau. Diante do cenário, os prazos que começariam ou venceriam nesta segunda-feira foram prorrogados, e as audiências e sessões de julgamento marcadas para o dia precisaram ser redesignadas pelas respectivas unidades judiciais, com a devida intimação das partes envolvidas.
Medidas de contenção e comitê de crise
Como resposta ao ataque, o TJMT determinou uma série de medidas de proteção, entre elas a redefinição de credenciais de acesso aos sistemas, a restrição de acessos considerados sensíveis e outras ações técnicas voltadas a proteger os ambientes tecnológicos da instituição. O episódio levou ainda à montagem de um comitê de crise dentro do Tribunal, reunindo equipes especializadas em segurança da informação com o objetivo de conter os danos causados pela ofensiva e acelerar o processo de recuperação dos sistemas.
Até o momento, o Tribunal informou não ter identificado indícios de uso indevido de dados em decorrência do ataque, nem sinais de comprometimento dos mecanismos de backup utilizados pela instituição. Essa informação é considerada estratégica, já que eventual vazamento de dados processuais sensíveis representaria um problema ainda mais grave para o Judiciário estadual, dado o volume de informações pessoais e jurídicas armazenadas nos sistemas do PJe. As análises técnicas seguem em andamento, com apoio de parceiros externos especializados em segurança cibernética.
Apesar dos esforços de contenção, o TJMT não apresentou até esta terça-feira um prazo definido para o restabelecimento completo dos sistemas. O órgão informou que a retomada dos serviços ocorrerá de forma gradual, respeitando critérios técnicos de validação e segurança, e que novas atualizações sobre o caso serão divulgadas pelos canais oficiais da instituição conforme o andamento das investigações e da recuperação da infraestrutura.
Reflexos para quem depende do sistema judicial
A paralisação chega em um momento sensível para operadores do Direito em Mato Grosso, já que o PJe é a principal ferramenta de trabalho de advogados, promotores e magistrados no estado. A suspensão de prazos amenizou parte do impacto imediato, mas a indisponibilidade prolongada de sistemas essenciais tende a gerar acúmulo de demandas represadas assim que o funcionamento for normalizado, o que preocupa profissionais que dependem da plataforma para dar andamento a processos em curso.
O episódio no TJMT também reacende o debate sobre a segurança cibernética de órgãos públicos brasileiros, especialmente tribunais de Justiça, que concentram grandes volumes de dados sensíveis e têm sido alvo recorrente de tentativas de invasão em diferentes estados do país nos últimos anos. A forma como o incidente foi identificado, a partir da inserção de um documento aparentemente comum no sistema, chama atenção para a necessidade de reforçar protocolos de verificação em plataformas que lidam diariamente com um volume expressivo de arquivos enviados por usuários externos, como advogados e partes de processos.
Fontes:
https://www.folhamax.com/cidades/tjmt-suspende-expediente-apos-ataque-virtual-derrubar-sistema/573332
https://exclusivonews.com.br/tribunal-de-justica-de-mt/ataque-hacker-paralisa-sistemas-do-tjmt-e-suspende-prazos-audiencias-e-julgamentos/
https://www.muvucapopular.com.br/2026/09/21/apos-ataque-hacker-tj-mantem-sistemas-fora-do-ar-e-nao-da-prazo-para-retomada/
