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Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Separação entre propriedade e gestão: Rodrigo Gonçalves Pimentel elucida o erro que trava empresas familiares quando ninguém aceita ser só dono

Diego Velázquez
Diego Velázquez julho 21, 2026
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Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Uma cota societária dá direito a voto, a dividendos e a participar de decisões estratégicas relevantes para o futuro do negócio. Não dá, por si só, competência para dirigir uma operação, negociar com fornecedores, liderar uma equipe comercial ou tomar decisões financeiras complexas no dia a dia. Muitas empresas familiares tratam essas duas coisas como se fossem a mesma, e esse é um dos erros mais recorrentes que impedem o negócio de crescer além do que o fundador conseguiu sozinho, ao longo de décadas de trabalho pessoal.

Contents
Por que muitos herdeiros insistem em administrar mesmo sem preparo?O erro mais comum: tratar cota societária como diploma de gestãoO que a separação entre propriedade e gestão realmente resolve?Por que abrir mão do comando operacional não significa perder poder?O que sustenta uma empresa quando o dono aceita ser só dono?

O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel observa que a separação entre propriedade e gestão costuma ser vista, dentro da família, como uma perda de poder ou de prestígio dos herdeiros diretos. Na prática, costuma ser o contrário: essa separação tende a ser a condição necessária para que a empresa continue crescendo depois que o número de sócios aumenta a cada nova geração familiar, e o patrimônio se pulveriza entre pessoas com formações muito diferentes entre si.

Por que muitos herdeiros insistem em administrar mesmo sem preparo?

A resposta mais honesta costuma ser identidade, não estratégia de negócio. Para boa parte dos herdeiros, ocupar um cargo executivo na empresa da família é parte de como eles se veem publicamente, independentemente de terem ou não formação e talento comprovado para a função específica exigida pelo cargo. Recusar o cargo pode soar, para essa pessoa, como admitir que não é capaz de continuar o legado do fundador perante irmãos e funcionários mais antigos da empresa, mesmo quando essa não é a questão real em jogo naquele momento da sucessão.

O problema aparece quando essa necessidade pessoal de ocupar um cargo entra em rota de colisão direta com o que a empresa efetivamente precisa naquele momento específico do seu crescimento. Um herdeiro sem preparo em finanças pode acabar decidindo sobre investimentos que exigiriam análise técnica que ele simplesmente não tem, e a empresa paga o preço dessa lacuna em decisões mal calculadas, muitas vezes sem que ninguém perceba o erro a tempo de corrigi-lo, até que o resultado financeiro do trimestre já reflita o impacto da escolha equivocada.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

O erro mais comum: tratar cota societária como diploma de gestão

Rodrigo Gonçalves Pimentel destaca que o erro mais recorrente entre famílias empresárias brasileiras é presumir que ter direito à empresa equivale, automaticamente, a ter competência para administrá-la com eficiência. São coisas diferentes: uma decorre de herança e de previsão legal; a outra decorre de formação técnica, experiência prática e resultado comprovado em funções semelhantes ao longo do tempo, algo que nenhum contrato de partilha consegue garantir por si só, por mais bem redigido que seja.

A confusão entre direito e competência explica por que tantas empresas familiares colocam parentes em cargos que exigiriam, no mercado aberto, anos de experiência comprovada. O critério deixa de ser competência técnica e passa a ser proximidade familiar ou ordem de nascimento entre os irmãos.

O que a separação entre propriedade e gestão realmente resolve?

Separar propriedade e gestão não significa afastar a família das decisões importantes do negócio; significa redistribuir quem faz o quê dentro da estrutura societária já existente. O sócio continua tendo direito a voto em decisões estratégicas relevantes, a participar do conselho de administração e a receber sua parte proporcional dos resultados obtidos ao final de cada exercício. O que muda é quem assume a responsabilidade operacional do dia a dia da empresa, área em que nem todo herdeiro precisa, nem deveria, atuar diretamente apenas por ser sócio.

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A separação entre propriedade e gestão reduz o conflito entre herdeiros, mas não o elimina por completo: ao retirar a disputa por cargos executivos do centro da conversa familiar, o debate se concentra em decisões estratégicas de longo prazo, como reinvestimento e distribuição de lucros. Rodrigo Gonçalves Pimentel considera que esse deslocamento do foco costuma ser suficiente para reduzir boa parte do desgaste entre sócios que, além de sócios, continuam sendo parentes próximos com décadas de convivência entre si.

Por que abrir mão do comando operacional não significa perder poder?

A ideia de que abrir mão de um cargo executivo significa perder poder dentro da empresa é um dos mal-entendidos mais comuns em todo esse processo de transição geracional. O sócio que deixa de administrar diariamente mantém, e às vezes até fortalece, sua influência sobre os rumos estratégicos do negócio a longo prazo, porque passa a exercer esse poder por meio de mecanismos formais de governança bem definidos, como assento em conselho e voto em decisões de maior porte, e não mais por presença física constante na operação diária.

Rodrigo Gonçalves Pimentel avalia que o verdadeiro poder, numa empresa familiar madura, está em quem define as regras do jogo societário, não em quem ocupa a cadeira operacional no dia a dia da empresa. Um conselho bem estruturado, com sócios que participam de decisões estratégicas relevantes sem precisar administrar a rotina, costuma concentrar mais influência real e duradoura do que um cargo executivo isolado, sujeito a pressões operacionais diárias e ao desgaste natural da função.

O que sustenta uma empresa quando o dono aceita ser só dono?

Empresas que conseguem separar propriedade e gestão com sucesso, ao longo de gerações sucessivas, compartilham uma característica comum: a família aceita que ter direito ao patrimônio não obriga ninguém a administrá-lo pessoalmente todos os dias da semana. Uma aceitação como essa, mais do que qualquer contrato bem redigido, é o que permite à estrutura funcionar na prática do dia a dia da operação, porque remove a pressão emocional de que só quem trabalha diretamente na empresa merece ser considerado parte legítima dela.

O erro recorrente nunca foi a falta de capacidade de algum herdeiro específico, foi a suposição, repetida geração após geração, de que ser dono e saber administrar são exatamente a mesma coisa. Empresas que corrigem essa suposição cedo, ainda na primeira sucessão, tendem a crescer de forma mais sustentável do que aquelas que insistem em manter as duas funções sempre concentradas nas mesmas mãos, geração após geração.

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